Terça-feira, Outubro 03, 2006


Afixado por João Ferreira Dias :: 12:08 PM :: |
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Domingo, Outubro 01, 2006

CHEIRO DO TEMPO. Tarde de sol. Ao invés de nos deixarmos escorregar sofá abaixo qual domingo perguiçoso, agarrámos na constipação de inícios de Outono e com música dos anos 80 como ambiente fizemo-nos à estrada sem rumo certo. Talvez por não termos rumo o rumo tenha sido tão agradável. A estrada debaixo dos nossos pés, peregrinos de rodas sem causa, chegámos a Santarém. Do alto olhando demorada a lezíria ribatejana, e nos góticos vitrais do tempo lembranças de Portugal. Ali, naquelas igrejas que atravessam os séculos sente-se o cheiro do tempo. Do olhar moderno que nos acompanha, lente para a recordação eterna, trago-vos isto:

 

 


Afixado por João Ferreira Dias :: 9:44 PM :: |
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Sábado, Setembro 30, 2006

QUERER NEM SEMPRE BASTA. Dizem que quando se deseja muito uma coisa essa coisa acontece, mas nem sempre isso é verdade. O Chelsea x Aston Villa de hoje é exemplo disso. Frenético, emotivo e enervante. O Chelsea esteve mais ou menos igual a si mesmo mas encontrou pela frente um Villa extremamente motivado. Drogba abriu o marcador mas o Villa conseguiu empatar o jogo. O que fica é o sufoco final dos "blues" de Mourinho pelo golo da vitória. Drogba esteve como é seu habitual - muito perdulário, Essien correu até à exaustação, Shevchenko esteve melhor que em jogos anteriores mas foi forçado a vir muito a trás buscar jogo. Sem reprimendas tentaram tudo para chegar à vitória, mas há dias em que querer não é suficiente.


Afixado por João Ferreira Dias :: 8:40 PM :: |
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A PRISÃO INTERRELACIONAL. «À medida em que nos vamos relacionando cada vez mais uns com os outros vamos ficando mais presos na teia das relações.» As relações interpessoais constituem parte da natureza humana, tornam-nos “reais”, dão-nos forma e moldam-nos em contextos através de normas e condutas éticas. No entanto, estas relações que compõem o habitat humano e formalizam o quotidiano não deixam, em boa medida, de se constituírem como prisões interrelacionais uma vez que o indivíduo – cada um de nós – que compõe o todo social está condicionado por meio de mecanismos de interacção social – códigos – que o aprisionam e moldam a sua maneira sui generis de ser. Portanto, na teia do social estamos todos presos, quer queiramos quer não. Ao constituirmos núcleos relacionais (família, grupo de amigos, colegas de trabalho) contribuímos cada vez mais para o nosso auto-aprisionamento na medida em que criamos laços de afectividade e mútua correlação, exigimos algo dos outros ao mesmo tempo que os demais exigem de nós.


Afixado por João Ferreira Dias :: 1:12 PM :: |
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Terça-feira, Setembro 26, 2006

FAMÍLIA TRADICIONAL, O MITO. Entre 1991 e 2001 as conjugalidades informais – coabitação, união de facto, etc – quase duplicaram, atingindo um aumento superior ao número de casamentos. A juntar a estes dados está o aumento de casais sem filhos e o aumento de nascimentos fora do casamento tradicional. Segundo Sofia a socióloga Aboim* em Portugal “acabámos por saltar etapas e correr em 30 anos o que demorou mais tempo noutros contextos. Isso vai deixando coisas híbridas, misturas…”. No entanto, Sofia Aboim adianta que “basta recuarmos até aos anos 50,60 em Portugal para termos a maior taxa de filhos bastardos da Europa (…) Quando os indivíduos começam a durar até aos 70, 80 anos, se calhar é muito pedir-lhes que permaneçam juntos durante 50 anos. A família tradicional é, de facto, um mito.”

 

O que podemos retirar daqui? Basicamente que a modernidade portuguesa é um processo complexo uma vez que salta etapas e procura em curtos períodos de tempo “amadurecer” o que levou anos a acontecer noutros países. Quer isto dizer que, em Portugal a modernidade se faz aos solavancos, debatendo-se o tradicional enraizado (causado por um período de ditadura) com o novo e moderno que nos chega com a globalização. Este choque temporal ainda procura o seu equilíbrio num momento em que casar é por um lado uma instituição e por outro está fora de moda, em que os homossexuais são livres e têm direitos mas são marginalizados, etc. Times are changing but we must wait for the real changes.

 

* autora da obra “conjugalidades em mudança”, em entrevista ao Público (22.08.2006)

 

Afixado por João Ferreira Dias :: 2:57 PM :: |
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Segunda-feira, Setembro 25, 2006

TRADUZIR DAN BROWN. Dan Brown tornou-se conversa de café, virou tema recorrente, do mesmo modo como pegou moda dizer que os seus livros estão mal escritos, que o autor escreve mal. Isto é sinal de que as pessoas continuam a pensar pela cabeça dos outros, isto é, reproduzem aquilo que ouvem e tomam como sua a opinião que é de outrem. Ora, como é possível que as pessoas digam que Dan Brown escreve mal se todas lêem traduções das obras deste? Seria correcto dizer, isso sim, que os tradutores executaram uma tarefa deficiente não produzindo uma tradução com uma riqueza linguística capaz. Mas não, segue a crítica descabida num país onde até o pensamento é aos retalhos.


Afixado por João Ferreira Dias :: 8:38 PM :: |
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A PSICOLOGIA DA BLOGOSFERA. A blogosfera onde nos movemos e debitamos opiniões, visões, frustrações, alegrias, onde enfim escrevemos o que nos vai na alma, possui uma psicologia complexa. Tem aliás uma personalidade própria, funciona como um vácuo onde são deitadas palavras na esperança de que alguém as (não) leia. Como em tudo, o ser humano procura sempre o reconhecimento uma vez que este entende-se a si próprio no reflexo do outro. Muitas outras vezes a blogosfera, tal como os "chat rooms", representa a possibilidade infinita de uma pessoa se reinventar, se auto-descobrir ou tão simplesmente de criar uma personalidade que não é a sua. A realidade virtual é isso mesmo, virtual, quem sabe que rosto e que história de vida está por detrás de cada nickname?

O pulsar dos diários virtuais é também uma mostra do outro lado da personalidade humana, aquela que se enconde dos contornos do dia-a-dia, uma personalidade exibicionista que vai ao encontro de uma personalidade voyeur. Esta é a razão pela qual os blogues mais lidos são os blogues de conteúdos pornográficos caseiros. Muitos são os que querem penetrar na intimidade de outros e vasculhar as suas vidas.

O desejo de reconhecimento anteriormente falado leva a que o bloguista possua um contador de visitas e que existam as chamadas "caixas de comentários". Toda a gente quer ter a ilusão de que a sua opinião conta, de que a sua opinião foi lida, de que a sua opinião foi partilhada. Como a blogosfera é um vazio de milhões de caracteres e de informação a melhor forma dos bloguistas terem leitores é através das visitas a outros bloguistas. À excepção dos bloguistas famosos, aqueles que por sua popularidade na vida real e civil têm à partida um elevado número de leitores, todos os outros precisam de ler e visitar outros se querem ter visitas também. Outra coisa que acontece é que, à medida em que o blogue se vai tornando mais famoso, mais o mesmo se torna hermético, voltado para si, e menos o bloguista sai do seu casulo, até chegar o dia em que fecha a sua caixa de comentários pois isso não lhe retirará visitantes.

A blogosfera vai assim, de um anónimo diário virtual, passando por uma reinvenção de personalidade, até à mais profunda mostra de egocentrismo, onde se forma um núcleo coeso de bloguistas e é muito difícil entrar, a bloguelite.


Afixado por João Ferreira Dias :: 2:45 AM :: |
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Sábado, Setembro 23, 2006

E PODERIAM TER SIDO MAIS. Numa exibição empolgante, em especial na segunda parte, o Futebol Clube do Porto venceu o Beira-Mar de Augusto Inácio por três golos sem resposta, num jogo que marcou o regresso de Mário Jardel à casa dos "azuis e brancos". Os golos foram apontados por Postiga, Lisandro e Tarik todos na segunda parte. Quaresma encheu o campo de garra e arte, Anderson deu perfume, Postiga mostrou faro de golo. Três bolas a zero foi um resultado curto para o jogo que o FCP fez, no final poderiam ter sido mais.


Afixado por João Ferreira Dias :: 12:11 AM :: |
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Sexta-feira, Setembro 22, 2006

TEMPO.  A Noção global de tempo alterou-se desde a Idade Média onde a esperança média de vida era 45 anos. Dito assim não parece ter grandes implicações mas pensar que daqui a 20 anos estaríamos mortos muda muita coisa. Há uma diferença entre o tempo de vida e o tempo útil de vida, isto é, aquilo que se faz na vida é o que fica e é por isso que somos medidos, pelo tempo que levámos a fazer algo de notável ou de salientar. A noção social de tempo é a da “fast life”, do ritmo acelerado de vida moderno, um ritmo francamente diferente daquele vivido fora dos contornos citadinos. A noção da brevidade humana, da sua falência, leva a um sentido do efémero, do viver o momento, aproveitar cada instante, mas este sentimento individual é suplantando um sentimento comunitário de necessidade de respostas rápidas a problemas concretos e imediatos. A vida citadina é da vida fugaz, da corrida contra o tempo, do permanente stress do “para ontem”. Quer isto dizer que o estilo de vida individual influencia a noção que temos de tempo, e a localização da nossa vivência condiciona e dá sentido normativo às condutas.

 

Poderemos colmatar a brecha do tempo, anular os seus efeitos visíveis, retardar o que se acelera? Este é um desafio que a humanidade sempre teve pela frente. Perante a fugacidade da vida humana o que poderemos fazer para prolongar o nosso tempo nesta vida? Se a sociedade de informação tem o papel de encurtar o tempo nas comunicações a saúde tenta o prolongamento do tempo de vida humano.

           

Muitas vezes a percepção do aproveitamento do tempo está condicionada pela gestão dos nossos tempos de lazer e trabalho. A necessidade de trabalho, os objectivos profissionais e a carreira a ter não podem ser sinónimo de roubo de tempo ao lazer e a outras actividades como as relações interpessoais. O equilíbrio é o único caminho na conquista da estabilidade fisiológica. A verdade é que mesmo com os avanços na medicina problemas relacionados com o stress e com o ritmo de vida moderno originam enfartes, avc’s e ataques cardíacos. A natureza humana não está preparada para o ritmo das sociedades modernas que sufocam o ser humano em torno da necessidade de responder aos desafios num ínfimo espaço de tempo.

 


Afixado por João Ferreira Dias :: 2:58 AM :: |
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